Valletta, La Valletta, é a capital da República de Malta, em homenagem ao seu fundador, o cavaleiro, comandante naval, Jean Parisot de la Valletta, que defendeu a cidade dos turcos. A cidade está localizada na costa nordeste da ilha de Malta, numa península entre as baías de Marsamxett e Grand Harbour, no sopé do Monte Skiberras.

A construção de Valletta (como se conhece hoje) teve inicio a 28 de março de 1566. O trabalho de construção, liderado pelo arquiteto italiano Francesco Laparelli da Cortona, foi realizado com o maior rigor de planeamento urbano. Assim, foram criados sistemas especiais para a remoção de águas residuais e lixo da cidade, e as ruas foram planeadas para que a brisa do mar limpasse e refrigerasse o ar de Valletta.

De acordo com as regras da altura, era permitido construir casas apenas no seguimento das ruas, podiam decorar os cantos com estátuas, e era proibida a existência de jardins em frente às casas. Após a conclusão da construção, Valletta foi cercada por um fosso de 1 km de comprimento, 20 m de largura e 18 m de profundidade.

Desde 1570, que a construção da cidade continuou e deu primazia ao surgimento dos palácios e igrejas importantes da capital maltesa. A cidade desenvolveu comércio, artesanato e arte. Em 1798, as tropas de Napoleão ocuparam a cidade, tendo sido acolhidas de forma calorosa e sem resistência, o que acabou por ajudar a evitar a destruição da cidade. De 1800 a 1974, a ilha de Malta foi governada por Inglaterra. Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi severamente danificada pelo bombardeamento alemão, tendo sido mais tarde restaurada. Hoje a cidade é um museu ao ar livre, repleto de monumentos históricos e arquitetónicos que atraem muitos turistas todos os anos.

Quando visitar Valletta?

O ar quente de África é sentido nas ilhas maltesas, como em nenhum outro país do sul da Europa. Apenas o vento no inverno, e algumas tempestades e mau tempo, reduzem o número médio de dias de sol por ano para trezentos. Mas mesmo o clima “frio” do inverno não impede os turistas de tomarem banhos de sol e nadar nas muitas piscinas externas dos hoteis de Malta. A Ilha está na mesma latitude que Marrocos e Tunísia, o que explica o seu clima sempre quente.

O calor sufocante de África, no entanto, só se sente em Malta no pico do verão. Visitámos a ilha em agosto e sentimos que não era a melhor altura para passear por lá. A temperatura habitual no verão, é de 28 a 35 graus, mas a sensação de calor e o ar abafado, torna a respiração difícil. Como optámos por ficar num resort, alternámos os dias de passeio pela ilha, com dias passados na piscina a beber bebidas frescas.

Como visitar Valletta?

Uma vez que a condução em Malta (à inglesa, pelo lado direito da estrada) é caótica, devido ao elevado número de carros na ilha, optámos por uma solução mais simples e prática. Existem autocarros Hop-On Hop-Off que realizam diferentes trajetos, e que proporcionam a oportunidade de visitar toda a ilha. Quando se viaja com uma criança, a opção por este tipo de transporte acaba por ser a melhor e mais confortável.

Assim, comprámos o bilhete de dois dias, para que fosse possível visitar tranquilamente todos os locais pretendidos. Saímos de St. Paul’s Bay e seguimos pela costa norte até Sliema. Aí, apanhámos o ferry que faz a ligação a Valletta. Também é possível seguir de autocarro até à capital, mas a pequena viagem (entre 6 a 7 minutos) de barco vale mesmo muito a pena. O cenário é fantástico e permite ter uma visão panorâmica daquele lado da cidade. O bilhete de ferry custa apenas 0.50€/ida por pessoa e 1€/ida e volta.

Ao chegar a Valletta, e uma vez que a cidade fica no topo de uma colina e exige muitas subidas e descidas (o que com calor abrasador e uma criança não convém muito), “apanhámos boleia” num comboio turístico. Foi, sem dúvida, a melhor decisão. Para além de irmos confortavelmente sentados, o guia era muito simpático e engraçado, e forneceu informações e curiosidades sobre cada recanto da cidade. Estes comboios turísticos estão por todo o lado na cidade, com várias paragens e por um preço muito em conta.

O Centro Histórico

Depois de uma volta por toda a cidade no comboio turistico, paramos na St. George’s Square. É também conhecida como Praça do Palácio, é uma das praças centrais e mais visitadas da capital maltesa. A praça está localizada na principal rua turística de Valletta, a Republic Street.

O edifício com maior destaque nesta praça é o Palácio do Grão-Mestre, que abriga, hoje em dia, a residência oficial do presidente e o parlamento do país. Inicialmente, o prédio era de madeira, tendo mais tarde dado lugar a um palácio de pedra calcária, tornando-se no maior edifício da cidade.

É nesta zona da cidade que podemos encontrar, em todos os edifícios, as famosas varandas de madeira colorida. Uma herança dos árabes. As varandas permitiam às mulheres árabes, espreitar a movimentação das ruas, sem no entanto, serem vistas. As ruas são estreitas e longas, e sempre com vista para o azul do mar. São de uma beleza única.

Catedral de São Paulo

Muito próximo desta praça, fica a Catedral de São Paulo. Trata-se de uma catedral anglicana, construída por iniciativa da rainha da Inglaterra, que visitou a ilha no século XIX. A catedral começou a ser construída em 1839 e concluída em 1844. A Catedral contem oito capelas, cada uma das quais dedicada ao santo padroeiro das 8 línguas (ou origens) dos Cavaleiros da Ordem de Malta.

No seu interior é possível encontrar uma obra de Caravaggio. A tela encontra-se em exibição no Oratório para o qual foi pintada e a única pintura que existe, assinada pelo artista.

Teatro Manoel

Não muito longe, encontramos o Teatro Manoel. O famoso teatro de Valletta, construído em 1731 por iniciativa do grão-mestre Antonio Manoel de Vilena. A primeira representação no teatro ocorreu em 1732, onde os cavaleiros da Ordem de São João foram os atores. O edifício do teatro foi seriamente danificado na Segunda Guerra Mundial. No entanto, acabou por ser novamente restaurado na década de 1950.

Portões da cidade

Portões da cidade são os principais dos quatro portões de Valletta. Inicialmente, os portões consistiam numa passagem central e uma ponte elevadiça de madeira. A reconstrução dos portões ocorreu em 1853, durante o domínio britânico em Malta. O Valletta City Gate é o portão principal da cidade e um monumento indispensável de todas as rotas turísticas. É também Património Mundial da UNESCO.

Na praça em frente a estes portões, encontra-se a estação rodoviária central da ilha e a Fonte de Tritão. Não muito longe, encontramos também, as ruínas da Royal Opera House, construída no final do século IXX, durante o domínio britânico na ilha. Até ser destruído durante a Segunda Guerra Mundial, este era um dos edifícios mais bonitos da cidade.

Barrakka Gardens

À esquerda dos portões da cidade, entramos nos jardins superiores de Barrakka, que estão localizados junto à Fortaleza de S. Pedro e S. Paulo. São frequentemente chamados de “Jardins dos Italianos” e desde 1824 que estão abertos a todos os que os queiram visitar, de forma gratuita. Durante a Segunda Guerra Mundial, os Upper Barrack Gardens foram severamente danificados por ataques aéreos, mas após o trabalho de restauração, voltaram à sua antiga grandeza e esplendor.

Por ser o ponto mais alto da cidade, é possível ter-se uma vista panorâmica do porto, dos arredores, dos Jardins Inferiores (os mais silenciosos e menos movimentados de Barrakka) e das três cidades – Birgu, Senglea, e Cospicua. A vista é de tirar o fôlego e absolutamente imperdível. Também é possível ter acesso a estes jardins pelo porto. Aí existe um elevador panorâmico (1€ por bilhete) com acesso aos jardins. Todos os dias, às 12h, há uma cerimónia de tiro de um canhão antigo. No total, existem aí 11 canhões ingleses.

Nos inúmeros cantos dos jardins, é ainda possível encontrar esculturas e monumentos a Churchill, além de outras estátuas e bustos. Na entrada, existem charretes puxadas a cavalo, que são também opção para passear pela capital. Mais de 700 mil pessoas visitam estes jardins anualmente.

Forte de St. Elmo

O principal monumento histórico de Valletta é o Forte de St. Elmo , uma fortaleza do século XIV, em torno da qual a cidade se estabeleceu. Esta antiga fortaleza construída para proteger as abordagens inimigas à cidade, vindas do mar, divide os portos naturais de Marsamxett e Grand Harbour. A cidade cresceu diretamente ao redor do forte. Durante o cerco de Malta pelos turcos, em 1565, o forte foi severamente danificado, tendo sido capturado e praticamente destruído.

Hoje, no Forte de St. Elmo, há uma academia de polícia e o Museu Nacional Militar, bem como exposições de objetos históricos, e exposições de cariz militar (um avião, barcos de torpedo, armas, uniformes, ordens).

Sugestões e dicas

Não deixem de almoçar numa das inúmeras esplanadas de Valletta e de experimentar alguns pratos típicos, como os Pastizzi (folhados recheados com ervilhas ou com queijo), massa penne com molho maltês, soppa Tal-Armala, Vermicelli, queijo Gbejniet, o bolo Imqaret, entre outros.

Para entrar na Catedral de São Paulo, as mulheres vão ter que cobrir os ombros e pernas. Uma vez que em Malta o calor é abrasador, é difícil não ter estas partes do corpo descobertas. No entanto, não é necessário vestir manga comprida ou calças quando for visitar a Catedral. À entrada são entregues pequenas capas para serem vestidas e cobrirem o corpo. Confesso que me pareceu uma medida um pouco antiquada, com a qual não lidei muito bem. O meu marido chegou mesmo a perguntar porque não era também ele obrigado a cobrir as pernas, uma vez que também ia de calções.

Enfim, conclusão, não vale a pena contestar. As senhoras que estavam a entregar as capas não reagiram bem e eu acabei por não apreciar a Catedral como pretendia.

Muito curioso, foi encontrar nas várias lojas de souvenires de Valletta, terços de Nossa Senhora de Fátima. Por momentos senti-me em casa ????.

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